ONU se posiciona frente à onda de protestos no Irã

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A crise desencadeada no Irã pelos protestos contra os líderes da República Islâmica é a maior onda de manifestações desde os que se seguiram à reeleição de Mahmoud Ahmadinejad em 2009. As revoltas começaram na quinta-feira, dia 28 de dezembro, em Mashhad, cidade de dois milhões de habitantes situada a noroeste. Duas mil pessoas foram às ruas contra a alta dos preços e a má situação econômica em geral. No dia seguinte, o exemplo se propagou por todo o país com manifestações em Teerã, Isfahan, Quermanxa, Resht, Qom, Sari, Hamedan e Ghazvin.

Os gritos contra o presidente Hassan Rohani, reeleito em maio passado, se transformaram em críticas à política externa do Irã.

“Não é justo que os jovens profissionais tenham de sair do país em busca de trabalho e um futuro melhor, enquanto o sistema desperdiça dinheiro em conflitos como os do Iraque e da Síria”, declara Ramin, estudante de química da universidade Azad, que simpatiza com os protestos.

Jovem ergue seu véu no ar contra autoritarismo do governo do Irã e se torna símbolo dos protestos na República Islâmica. Fonte: El País

Na segunda-feira, dia 1o de janeiro, foi anunciado pela televisão estatal que o número de mortos já é mais de 20 (incluindo um menino de 11 anos). Além disso, centenas de pessoas foram presas nos últimos dias em todo o país. A TV estatal indicou, ainda, que centenas foram detidas na noite de segunda-feira na província de Isfahán. Somente em Teerã, cerca de 100 manifestantes foram presos na segunda, segundo fontes oficiais citadas pela Reuters.

Nesta quarta-feira, dia 03 de janeiro, o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu que as forças do governo respeitem o direito dos manifestantes à liberdade de expressão. Em nota, Zeid Ra’ad al-Hussein também pediu uma investigação “imparcial e independente” sobre os atos de violência que ocorreram desde a semana passada “para garantir que todas as forças de segurança respondam de forma proporcional e estritamente necessária, e totalmente alinhado com o direito internacional”.

Ele complementou sua declaração afirmando que está “profundamente perturbado por relatos de que mais de 20 pessoas, incluindo um menino de 11 anos, morreram e centenas foram presas durante a recente onda de protestos no Irã”.

Fonte: Business Insider UK

Enquanto isso, o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, criticou a perda de vidas na onda de protestos no Irã e disse que a violência adicional deve ser evitada. Em um comunicado emitido por um porta-voz da ONU, foi informado que o Secretário-Geral segue preocupado em relação aos desenvolvimentos recentes na República Islâmica do Irã. “Ele exorta o respeito pelos direitos à reunião pacífica e à liberdade de expressão, e sustenta que qualquer manifestação ocorra de forma pacífica. Devendo ser evitada qualquer violência adicional”, afirmou o comunicado.

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Autora: Ana Carolina Vasconcelos Leal Muniz

 

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